O DESAFIO DE SER MULHER EM UM UNIVERSO FEMININO

O Brasil tem hoje entre 7 e 8 milhões de alunos em nível de graduação. Destes, quase 4,5 milhões (60%) são mulheres. Estes dados começaram a ser computados a partir de 2004 (MEC), portanto, há 9 anos a tendência se mantém com pouquíssimas oscilações.

Quando falamos do campo profissional, especificamente do universo jurídico, a percepção não é diferente, principalmente na faixa entre 25 e 35 anos, tanto para posições em Departamentos Jurídicos como em Escritórios de Advocacia.

Nos processos seletivos conduzidos em nossa consultoria, em um espaço amostral de 1.200 pessoas, qualificadas entre 25 e 45 anos, a cada 4 finalistas, 3 são mulheres em média, conforme o gráfico abaixo:

 

Com os dados acima, pode-se concluir que este universo já ESTÁ e a tendência é que se mantenha dominado pelo público feminino nos próximos anos. Mas será que a visão sobre a mulher mudou no mercado?

 

Mulheres X Mulheres?

O mercado não deixa de ser sempre um espaço amostral fidedigno de nossa sociedade, ambiente em que a mulher vem merecidamente encontrando seu espaço e com extrema competência e qualidade.

Pois bem. A sala de entrevista nunca mente. Recebo diariamente advogadas, executivas do mundo jurídico que hoje estão no mercado. Decidi, por conta própria, contabilizar os motivos pelos quais essas advogadas acreditavam estar hoje “no mercado”. Vejam, contabilizei percepções pessoais e, claro, subjetivas dessas profissionais.

 

*espaço amostral de 86 mulheres

 

Nosso último ano mostrou-se realmente desafiador (estou sendo elegante), afinal fomos atingidos diretamente pelas mazelas de nossa política econômica desastrosa.

Analisando o último gráfico, seria assustador entender que um fator atrelado à maternidade, por exemplo, talvez pudesse ainda ser consideravelmente maior em momentos menos turbulentos.

Na ocasião do desligamento, a cena que sempre nos vem em mente é a clássica imagem de um gestor Homem, do alto de sua cadeira, entregando a “boa nova”. Em busca dessa resposta e, por que não, com grande curiosidade, neste universo de 86 advogadas, busquei dados significativos como o sexo do gestor direto.

Vejamos:

 

Pois então. Não é bem assim que a banda AINDA toca. Pelo visto o bumbo pode ter sido trocado por uma flauta.

 

Reflexão

Apesar do espaço amostral aparentemente pequeno, a sensação continua. O que preocupa é o fato, ou a possibilidade de um universo cada vez mais feminino ainda repetir padrões do passado. Seria esse o caso? Seria ainda o peso da cultura organizacional, que influencia demais o gestor, independente do sexo?

Fica o debate e o desejo de que este tema, nas próximas gerações, esteja, DE FATO, ultrapassado…