Sua carreira no País das Maravilhas

Lewis Carroll nunca foi Coach, gestor, mentor, pelo menos não na acepção moderna e “corporativa” do termo. Tampouco era esse o seu verdadeiro nome: Charles Dodgson.

Charles passou, de forma brilhante, pela Matemática, Lógica, Teologia (foi padre anglicano), Fotografia e Literatura. Esta última talvez tenha sido sua atividade de maior destaque. Impossível imaginar o quão inspirador seria seu mundo paralelo e fantástico para as futuras gerações, em sua versão mais atual, num filme de Tim Burton.

“Podes dizer-me, por favor, que caminho devo seguir?- pergunta Alice

Isso depende muito de para onde queres ir – respondeu o Gato.

Preocupa-me pouco aonde ir – disse Alice.

Nesse caso, pouco importa o caminho que sigas – replicou o Gato.”

Para quem não sabe aonde vai, qualquer caminho serve. Pois é. Está aí a grande questão filosófica de sua carreira, e também de sua vida. Atenção.

Tomar as rédeas ou não de sua carreira e planejar o seu caminho são atitudes que podem solidificar ou macular a sua trajetória. Nunca é tarde demais para colocar o plano em prática, mas, convenhamos, quanto mais cedo melhor.

Vejo alguns pontos essenciais, que espero poder clarificar um pouco para onde seguir no seu “Mapa”. Muitas vezes a ordem não importa. Obedeça a sua maneira pessoal de fazer as coisas:

  1. 1. Não olhe para o lado e sim para si. Posso contar nos dedos as pessoas que conheci sendo bem sucedidas financeiramente e pessoalmente, desempenhando uma função com a qual não tem afinidade. Use como bússola o que te faz feliz, não aos outros, não ao seu bolso. Encontre então a vocação dentro de sua formação. Una sua afinidade com uma lista de suas habilidades. Sempre revisite este item. Sempre.
  2. 2. Pense no ambiente ideal. Em que lugar você se vê fazendo o que gosta? Que cultura empresarial lhe agrada mais? Fantasie o ambiente e as pessoas.
  3. 3. Coloque num papel, registre. Esse momento é sagrado. Trata-se do que você quer ser, fazer e ser reconhecido por. É o seu contrato consigo mesmo. Você não imagina o quanto isso lhe economizará de tempo em suas escolhas futuras.
  4. 4. Defina prazos. Todo profissional deve planejar aonde quer chegar e em quanto tempo. Isso inclui cursos, educação continuada, no Brasil e no exterior. Não há controle total sobre isso. Mas a falta dele pode lhe levar a lugares difíceis de retornar. Estabeleça este prazo também com seu gestor. Essa responsabilidade pode sim ser dividida, na medida em que impacta diretamente o desenvolvimento de ambos.
  5. 5. Analise mercado e localização. Uma vez definida sua vocação, ou seja, a mescla de sua identidade com suas habilidades, veja em que terreno pretende pisar. Alinhe custo de vida, ofertas na sua área e local, por exemplo. Por mais preparado e habilidoso que você seja, fica complicado vender “carne para vegetarianos”, e mais ainda a um preço fora de mercado.
  6. 6. Crie um sistema para mensurar seus resultados. Checklists, planilhas, gráficos, calendários. Não importa o seu sistema, apenas tenha um. Compartilhe com o seu gestor. Transparência está em alta.
  7. 7. Tenha um plano B, temporário. Sejamos realistas: nossa carreira em alguns momentos sofre desvios ou nos deparamos com escolhas que fogem um pouco ao nosso controle. Às vezes uma pessoa ou pessoas dependem de você. Não se torture. Abrace a causa temporariamente (sempre dentro da coerência do seu escopo profissional). Provavelmente está na hora de retornar ao item 1.
  8. 8. Adote um “Advogado do Diabo”. Tenha sempre alguém em quem confie para recorrer nos momentos de aconselhamento. Cuide para que esta pessoa seja experiente e, acima de tudo, honesta. Duramente honesta e positivamente crítica.

Não há, obviamente, uma fórmula pronta para o êxito em sua carreira. Óbvio fica então que o planejamento e a disciplina farão toda a diferença nesse caminho sempre tortuoso e nem tão linear como supomos. Daí serem tão necessários.

Resta-nos o ensinamento de Immanuel Kant:

“Quem não sabe o que busca, não identifica o que acha”.